lagoa do sangrar

fizemos chuva da água
água da chuva
fizemos espaços enchidos de espaços
num espaço vazio de lágrimas
e na destilaria do afeto     ainda ferruginosa
desdobraram-se as nossas cores opalinas sob o fim
quão distante porém     ainda inacreditável
ficou o afeto que tivemos pelo existir após a vida do vapor
afinal o amor é ilusão e toda ilusão deve ter algum destino
aquele jeito de ondeio     aquela memória sarada
aquele navio sem boias na face do mar
tudo tanto
quanto pôde
agora é o sangue dos sonhos nunca exprimidos
que fugiu para o âmago estagnado
nas profundidades das lembranças
fazendo-nos água na lua e luas nas nuvens do pranto

pablo alejos flores autor escritor

Pablo Alejos Flores
@pabloalejosflo
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Una respuesta a «lagoa do sangrar»

  1. Gostei do teu poema. Tem conteúdo, substância.

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